No episódio anterior, explorámos a dimensão energética do stress e percebemos que o stress não é apenas algo mental ou físico – é também energia em desequilíbrio. Falámos da importância de relaxar, respirar e deixar de resistir àquilo que estamos a viver.
Mas existe algo ainda mais profundo por trás desse desequilíbrio energético: as emoções.
Neste episódio entramos na dimensão emocional do stress e percebemos que, muitas vezes, o sofrimento não vem apenas das situações da vida, mas da forma como lidamos – ou não – com aquilo que acontece na vida, e com a forma como conseguimos – ou não – transformar aquilo que sentimos.
Emoção é energia em movimento
As emoções não são inimigas. Pelo contrário: fazem parte da experiência humana.
A palavra emoção vem precisamente da ideia de movimento. Emoção é energia em movimento.
É por isso que o corpo tem um papel tão importante na regulação emocional. Quando te moves, quando respiras profundamente, quando caminhas, danças, praticas yoga ou exercício físico, estás a ajudar as emoções a circular, evitando, assim, que fiquem bloqueadas dentro de ti.
O problema não são as emoções. O problema é aquilo que fazemos com as emoções!
O que reprimimos não desaparece
Muitas pessoas aprenderam desde cedo a esconder aquilo que sentem. Reprimem emoções, evitam conflitos, fingem que está tudo bem e anestesiam-se com trabalho, comida, redes sociais, álcool ou distrações constantes.
Outras pessoas fazem o contrário: alimentam continuamente a dor, revivendo histórias e aumentando o sofrimento.
Mas nem fugir nem alimentar resolve.
As emoções que não são processadas ficam armazenadas dentro de nós. E, mais cedo ou mais tarde, acabam por voltar:
- através de ansiedade
- irritabilidade
- crises emocionais
- cansaço extremo
- ou até sintomas físicos e doenças.
As feridas emocionais
Lise Bourbeau, no livro Curar as Cinco Feridas, fala sobre cinco grandes feridas emocionais:
- rejeição
- abandono
- humilhação
- traição
- injustiça
Tal como uma ferida física que não é tratada continua inflamada, também as feridas emocionais permanecem sensíveis ao mínimo toque.
E muitas vezes aquilo que nos ativa no presente não é apenas o que está a acontecer no momento, mas é, sobretudo, tudo aquilo do passado que ainda não foi integrado e processado dentro de nós.
Regular emoções não é reprimi-las
Regular emoções não significa perder o controlo nem ser dominado pelo que sentes. Nem é esconder, fugir e reprimir as emoções.
Regular emoções significa:
- reconhecer o que sentes
- permitir que exista
- observar sem julgamento
- acolher com presença
- e criar espaço para transformar.
Acima de tudo, é preciso coragem para sentir!
As emoções como oportunidade de crescimento
Quando algo te ativa emocionalmente, isso não significa que há algo errado contigo. Significa apenas que existe algo dentro de ti a precisar de atenção e cuidado.
E quando aprendemos a escutá-las em vez de fugir delas, começamos verdadeiramente a transformar-nos.
No próximo episódio…
No próximo episódio vamos explorar a dimensão relacional do stress.
Porque as emoções não vivem isoladas dentro de nós. Elas aparecem nas relações:
E as relações acabam por ser o palco onde se revelam feridas antigas, padrões emocionais e histórias mal resolvidas
As relações são um espelho do nosso mundo interno – e também um dos maiores caminhos de crescimento e transformação.
…
Livro sugerido:
“Curar as Cinco Feridas”, de Lise Bourbeau (Pergaminho, 2016)
Uma reflexão profunda sobre as feridas emocionais que desenvolvemos ao longo da vida e a forma como elas influenciam os nossos comportamentos e relações.
