No episódio anterior, exploramos a dimensão física do stress e percebemos como o corpo é o primeiro a reagir. É nele que o stress se manifesta, através de sintomas, sinais e desconfortos.
Mas o corpo não é a origem. É o mensageiro. Hoje vamos mais fundo. Vamos olhar para aquilo que está por trás desses sinais: a tua energia.
O stress é energia em desequilíbrio
Costumamos pensar no stress como algo mental ou emocional. Mas há uma perspetiva mais abrangente: o stress é energia. E mais do que isso… é energia em desequilíbrio.
A energia é o combustível do corpo. É aquilo que sustenta a vida e permite que tudo funcione – o corpo, a mente e as emoções. Em diferentes tradições, esta energia tem nomes distintos:
- Prana, na Índia
- Chi, na China
- Ki, no Japão
Mas todas apontam para o mesmo: uma força vital que circula no corpo através de canais energéticos (meridianos ou nadis) e que determina a tua vitalidade. Quando essa energia flui de forma equilibrada:
- o corpo funciona melhor
- a mente fica mais clara
- as emoções tornam-se mais estáveis
Mas quando essa energia está bloqueada, em excesso ou esgotada… o sistema entra em desequilíbrio. E é aí que o stress se instala.
A energia que geras não fica só em ti
Há algo essencial que muitas vezes ignoramos: a forma como te sentes por dentro… não fica só em ti. A tua energia:
- influencia o teu corpo
- influencia as tuas emoções
- influencia as tuas relações
- e influencia o ambiente à tua volta
A energia é contagiosa. É por isso que há pessoas que nos fazem sentir bem, e outras que nos drenam. E é também por isso que, quando há alinhamento interno, a tua realidade externa começa a refletir isso.
A resistência é a origem da tensão
Grande parte do stress não vem da situação em si. Vem da forma como lidas com ela. Mais concretamente… da resistência à situação.
Aquele diálogo interno constante – “isto não devia ser assim” / “não aguento mais isto” /“isto tem de mudar”… – gera luta interna, que consome uma quantidade enorme de energia. E cria um ciclo:
- quanto mais lutas, mais te contrais
- quanto mais te contrais, menos a energia flui
- quanto menos a energia flui, mais tensão acumulas
E assim entras num estado contínuo de stress, que acaba por originar ansiedade.
O stress não se resolve na luta
O stress não se resolve através da luta. Resolve-se através da ausência de resistência.
Quando lutas contra a ansiedade, aumentas a tensão. Quando foges da ansiedade, prolongas o problema. Lutar ou fugir, não resolve nada, e mantém as pessoas presas no ciclo de luta ou fuga.
Então qual é o caminho? O caminho é:
- Encarar, reconhecer e aceitar que se está sob stress
- Acolher e abraçar tudo o que se está a sentir
Este aceitar e acolher é uma atitude de “não resistência”, o que não significa passividade. É, antes, inteligência interna.
Um exemplo simples: a insónia
Se já tiveste uma noite de insónia, sabes como funciona: quanto mais tentas adormecer… mais desperta a mente fica. Quanto mais pensas que queres adormecer… mais os pensamentos aceleram e impedem-te de adormecer. Mas quando aceitas que não estás a dormir e recorres a alguma estratégia, como por exemplo, respirar lenta e profundamente, o corpo relaxa, a mente tranquiliza-se, e naturalmente voltas a adormecer. E a energia volta a fluir.
Onde colocas a tua atenção… isso expande
Este é um princípio fundamental: se focas a tua atenção na luta… a tensão expande. Se focas a tua atenção no relaxamento… a calma expande. Por isso, o caminho não é combater o stress. É aprender a relaxar e a regular a tua energia.
A respiração: a tua ferramenta mais poderosa
A principal fonte de energia vital é a respiração. Sem respiração, não há vida. Mas mais do que isso:
- quando a respiração é rápida e superficial, aumenta a ansiedade
- quando é lenta e profunda, o sistema acalma
A respiração é uma ponte direta entre o corpo e a mente. Ao mudares a forma como respiras, mudas o teu estado interno.
Outras fontes de energia
A tua energia não vem só da respiração. Ela é influenciada por:
- alimentação
- sono
- movimento
- contacto com a natureza
- silêncio
- momentos de pausa e relaxamento
Sem estes pilares, o sistema entra facilmente em esgotamento.
Um lembrete importante: cuidar de ti não é egoísmo
Há momentos na vida em que a energia simplesmente não chega. Especialmente em fases exigentes, como a maternidade, o excesso de responsabilidades ou períodos de grande pressão.
Muitas vezes surge a culpa por precisar de parar. Mas há uma verdade essencial: cuidar de ti não é egoísmo! É responsabilidade.
Se a tua energia está em baixo:
- não consegues cuidar bem de ninguém
- não consegues pensar com clareza
- não consegues sentir equilíbrio
Respeitar os teus limites é essencial para poderes cuidares de ti e também dos outros.
Nem todo o stress é negativo
É importante fazer aqui uma distinção:
Eustress (stress positivo)
- ativação energética alta com tonalidade positiva
- entusiasmo, motivação, expansão
- ajuda-te a agir e a crescer
Distress (stress negativo)
- ativação alta com tonalidade negativa
- tensão, medo, ansiedade
- leva ao desgaste
Se prolongado, o estado de stress negativo pode levar ao burnout:
- baixa energia, com tonalidade negativa
- Desânimo, melancolia, estados depressivos
- exaustão
O equilíbrio está na alternância
O objetivo não é eliminar o stress. É saber lidar com ele.
Para isso é essencial equilibrar o estado energético, alternando entre:
- alta ativação positiva (motivação, entusiasmo, ação, criação)
- baixa ativação positiva (descanso, regeneração, relaxamento)
É nesta alternância que surge o verdadeiro equilíbrio na vida.
O primeiro passo é simples
Quando sentires stress ou ansiedade:
- para
- respira
- deixa de resistir
Porque quando deixas de resistir:
- a energia volta a fluir
- o corpo equilibra-se
- a mente acalma
- o stress dissolve-se
O próximo passo: as emoções
Mas há algo ainda mais profundo por trás de tudo isto: as emoções. Muitas vezes, o stress não vem apenas da sobrecarga… mas de emoções não processadas. E é exatamente isso que vamos explorar no próximo episódio.
Se queres saber mais, acompanha esta jornada.
