Hatha Yoga

hatha yoga

“Cedo o corpo se desfaz, como potes de argila por cozer atirados à água. Fortaleça e purifique o corpo cozendo-o no lume do Yoga.”  (in Gheranda Samitha – Tratado de Hatha Yoga, Séc. XV)

O Hatha Yoga é o ramo do Yoga mais praticado e conhecido no Ocidente, envolvendo um sistema muito completo. Composto por posturas físicas (Asana), técnicas de respiração (Pranayama), purificação (Kriya) e relaxamento (Yoganidra) que beneficiam todo o organismo, estas técnicas promovem igualmente um maior domínio sobre a mente e a consciência, e estimulam o fluxo de energia vital (prana) por todo o organismo.

Existem diversas escolas de Hatha Yoga, que diferem bastante entre si no que respeita ao método de ensino e estilo de prática, mas todas seguem os mesmos princípios básicos do Yoga.

No Aravinda Yoga Shala praticamos Hatha Yoga, nas versões de Yoga Dinâmico, Ashtanga Yoga e Vinyasa Flow.  Veja as respectivas secções para mais informações sobre cada estilo.

Significado e Origens do Hatha Yoga:

A palavra Hatha é composta por Ha (Sol – energia vital ou Prana) e Tha (Lua – energia mental e consciência ou Chitta), que representam as forças opostas e complementares que existem em todo o universo. O Hatha Yoga conduz ao equilíbrio destes dois fluxos energéticos e a sua união à energia espiritual. Assim, potencia a ascensão de uma energia latente (Kundalini) ampliando a consciência do indivíduo.

As primeiras referências escritas ao Hatha Yoga encontram-se nas antigas escrituras dos Upanishads e Puranas (séc VI a.C.), mas a sua sistematização só ocorreu por volta do séc VI d.C.

O Hathayoga Pradipika é um tratado prático de Yoga, compilado por Svatmarama (por volta do século XV), que dá orientações práticas sobre o percurso a fazer no sistema do Hatha Yoga. Este princípio é o da contenção da energia (Prana) através do controlo da respiração para dominar a mente. e, assim, poder-se atingir o estado de libertação (Kaivalya) e de hiper-consicência (Samadhi).

A metodologia do Hatha-Yoga gira em torno do desenvolvimento do potencial do corpo para que este seja capaz de suportar o peso e a força da realização transcendente. Isto porque os estados de êxtase ou estados místicos de consciência não são puramente mentais, mas têm um efeito profundo sobre o sistema nervoso e sobre o corpo em geral. O hatha-yogin trabalha no sentido de fortalecer o corpo e torná-lo num “corpo de diamante”.

Muitas críticas se tecem em torno da metodologia do Hatha Yoga apontando os seus perigos:

O narcisismo (ou egocentrismo voltado para o corpo) e um extremo apego à vida e ao corpo. Certamente levando o praticante a sacrificar as suas aspirações mais elevadas e a ficar preso a objectivos menores, postos ao serviço da sua personalidade egóica. Nesta situação, o praticante de Yoga não transcende o ego, mas pelo contrário, alimenta-o.

Isto pode ocorrer em versões vulgarizadas do Hatha-Yoga que têm como base o “culto do corpo”, mas não se aplica de todo à doutrina e aos mestres autênticos desta tradição, que estipulam que o Hatha Yoga deve ser compreendido como uma tecnologia psicoespiritual posta ao serviço da realização transcendente. Os meios do Hatha-Yoga são uma preparação e têm como fim a aquisição da perfeição do Râja-Yoga (domínio da mente e da consciência, através da meditação e disciplinas mentais).

A prática das posturas (ásanas) deve ser contínua e esforçada até se atingir a mestria e a perfeição. Traduz-se na ausência de esforço na execução destas posturas e na unificação do corpo com a mente. Os ásanas tornam-se, então, meditativos e espirituais, conduzindo a um estado de “meditação dinâmica”.

“Alguns alunos apenas prestam atenção ao aspecto físico do Yoga. A sua prática é como um ribeiro de fluxo rápido, aos tropeções e trambolhões, ao qual falta profundidade e direcção. Ao atentar ao lado mental e espiritual, o verdadeiro aluno de Yoga transforma-se numa espécie de rio tranquilo, que ajuda a irrigar e a fertilizar o solo à sua volta.” B.K.S. Iyengar

Veja também Centro dedicado ao ensino do Yoga